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Medicamentos usados por gestantes que podem estar relacionados aos riscos de autismo

5 de set.
3 min de leitura

Durante a gravidez, é natural que surjam dúvidas sobre tudo o que pode afetar o desenvolvimento do bebê. Alimentação, infecções, exames e, principalmente, o uso de medicamentos costumam despertar preocupação. Entre essas questões, uma tem ganhado espaço: existem medicamentos utilizados durante a gestação que podem estar relacionados a um maior risco de transtorno do espectro autista (TEA)?


A resposta exige cuidado. Alguns medicamentos já foram associados a alterações no desenvolvimento neurológico, mas isso não significa que seu uso provoque autismo de forma direta. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento complexa, influenciada por diferentes fatores genéticos e ambientais. Por isso, não é possível atribuir sua ocorrência a uma única causa.

 


O caso do valproato merece atenção


Entre os medicamentos estudados, o valproato, também conhecido como ácido valproico, é um dos que apresentam evidências mais consistentes de associação com alterações no desenvolvimento. Ele é utilizado principalmente no tratamento da epilepsia e de alguns transtornos do humor.


Pesquisas apontam que crianças expostas ao valproato durante a gestação apresentam maior probabilidade de desenvolver TEA e outras alterações do neurodesenvolvimento. Uma revisão recente, que reuniu dados de mais de 6 milhões de gestações, encontrou associação significativa entre a exposição ao valproato e um aumento do risco de TEA.


No Brasil, a Anvisa também já alerta para os riscos relacionados ao uso do valproato durante a gravidez, incluindo alterações no desenvolvimento neurológico.

Isso não significa que uma mulher que utilizou esse medicamento durante a gravidez terá necessariamente um filho autista. O aumento de risco observado nas pesquisas é diferente de uma relação de causa e efeito individual.

 


Outros medicamentos causam riscos?


Outros medicamentos também vêm sendo estudados. É o caso de alguns anticonvulsivantes e de determinados antipsicóticos. No entanto, os resultados precisam ser interpretados com cautela, porque a própria condição de saúde que levou à prescrição do medicamento pode estar relacionada ao desenvolvimento da criança.


Um exemplo que ganhou bastante repercussão recentemente é o paracetamol. Apesar de alguns estudos observacionais terem encontrado uma possível associação entre seu uso na gestação e o TEA, outras análises apontam limitações importantes nessas pesquisas. A própria Anvisa informa que o paracetamol é considerado um medicamento de baixo risco e que não há, no Brasil, notificações de suspeitas de eventos adversos relacionando seu uso durante a gravidez a casos de autismo. Por isso, não é adequado transformar uma associação encontrada em uma pesquisa em uma recomendação para interromper ou evitar determinado medicamento.

 


O mais importante é não interromper por conta própria


A preocupação com os possíveis efeitos dos medicamentos não deve levar à suspensão de tratamentos necessários. Em algumas situações, deixar uma condição de saúde sem acompanhamento pode representar riscos ainda maiores para a gestante e para o bebê.


O ideal é que qualquer medicamento utilizado durante a gravidez seja discutido com o médico responsável, considerando o quadro de saúde, a dose, o período da gestação e as possíveis alternativas. No caso do valproato, por exemplo, a Organização Mundial da Saúde recomenda que mulheres que possam engravidar recebam orientação médica sobre alternativas e não interrompam o tratamento sem acompanhamento.


Mais do que procurar um culpado, compreender essas informações ajuda as famílias a tomarem decisões mais seguras. E, quando uma criança apresenta sinais relacionados ao desenvolvimento, buscar avaliação especializada permite entender suas necessidades e oferecer o suporte adequado desde cedo.

 
 
 

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