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Como lidar com a culpa que muitos pais sentem durante a jornada terapêutica?

14 de ago.
3 min de leitura

Quando uma criança começa a fazer terapia, a rotina da família também pode mudar. Surgem consultas, horários para organizar, orientações para colocar em prática e novas informações para compreender. No meio de tudo isso, alguns pais começam a se perguntar se poderiam ter percebido algo antes, se estão fazendo o suficiente ou se poderiam estar fazendo melhor.


A culpa pode aparecer de diferentes formas. Pode estar presente quando uma sessão é perdida, quando alguma orientação não consegue ser incorporada à rotina ou quando os resultados não acontecem no ritmo esperado. Também pode surgir diante da comparação com outras famílias e crianças.


Mas cuidar de um filho não significa conseguir fazer tudo perfeitamente. E a jornada terapêutica não deve se transformar em mais uma fonte de cobrança dentro de casa.

 


A culpa não ajuda a olhar para o que a criança precisa


É natural que os pais queiram fazer o melhor pelos filhos. Justamente por isso, quando alguma dificuldade aparece, é comum procurar uma explicação e, algumas vezes, colocá-la sobre os próprios ombros.


“Será que eu deveria ter percebido antes?”,“Será que fiz alguma coisa errada?”,“Será que estou fazendo o suficiente?”

Essas perguntas podem ocupar um espaço enorme na rotina. O problema é que, quando a culpa toma conta, fica mais difícil enxergar o que está acontecendo no presente e pensar nos próximos passos.


A criança não precisa de pais que acertem o tempo todo. Ela precisa de adultos disponíveis para ouvi-la, entender suas necessidades e construir caminhos possíveis ao lado dela.

 


Cada família tem uma rotina possível


Existe uma diferença importante entre participar do tratamento e conseguir transformar toda a rotina da casa em uma extensão da terapia.


A família tem trabalho, outros filhos, compromissos, cansaço, imprevistos e também precisa de momentos de descanso. Nem toda orientação será aplicada perfeitamente todos os dias. Nem toda atividade planejada vai caber naquele momento.


Isso não significa falta de comprometimento. Quando a equipe conhece a realidade daquela família, pode ajudar a encontrar estratégias que façam sentido para a vida que ela realmente leva. Pequenas mudanças que conseguem ser incorporadas à rotina tendem a ser mais sustentáveis do que uma lista enorme de tarefas que aumenta ainda mais a pressão.

 


O desenvolvimento não acontece em uma linha reta


Outro motivo frequente de culpa aparece quando os pais esperam determinada evolução e ela demora mais do que imaginavam.

Há períodos de conquistas, momentos de maior dificuldade e habilidades que parecem avançar e depois precisam ser retomadas. Isso faz parte do processo de desenvolvimento.

Comparar o percurso do filho com o de outra criança também pode alimentar essa sensação de que algo está sendo feito errado. Mas cada criança tem suas próprias necessidades, características e formas de responder ao acompanhamento.


O papel da família não é acelerar esse caminho a qualquer custo. É oferecer oportunidades, acolher as dificuldades e comemorar os avanços, inclusive aqueles que parecem pequenos para quem olha de fora.

 


Pedir ajuda também faz parte do cuidado


A família não precisa carregar sozinha todas as dúvidas que surgem durante a terapia. Conversar com os profissionais sobre dificuldades da rotina, inseguranças ou até mesmo sobre aquilo que não está funcionando é parte importante do acompanhamento.

Uma relação próxima entre família e equipe permite que o tratamento seja ajustado à realidade da criança e de quem está ao seu lado todos os dias.


Na Clínica Alcance, esse diálogo faz parte da construção do cuidado. Mais do que acompanhar a criança durante as sessões, a equipe busca compreender sua rotina, suas necessidades e os desafios vividos pela família, para que o processo terapêutico seja possível também fora da clínica.


No lugar de perguntar o tempo todo “estou fazendo o suficiente?”, talvez seja possível começar a perguntar: “o que podemos fazer daqui para frente?”. Essa mudança parece pequena, mas pode aliviar um peso enorme. Porque cuidar também é aprender, ajustar a rota e reconhecer que ninguém precisa fazer tudo sozinho.

 


 
 
 

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